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A SAÚDE MENTAL FEMININA E O PAPEL TRANSFORMADOR DO REDE DELAS – ITC
03 fev
A mulher periférica sustenta casas, famílias e comunidades inteiras. Ela acorda antes de todo mundo, enfrenta transporte lotado, trabalha fora ou dentro de casa, cuida dos filhos, resolve problemas, administra a falta de dinheiro e, muitas vezes, ainda precisa manter tudo funcionando emocionalmente.
Mas quem cuida da saúde mental dessa mulher?
Dados do IBGE mostram que as mulheres dedicam quase o dobro do tempo que os homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Informações do Ministério da Saúde e da Fiocruz revelam que elas também são maioria entre os casos de ansiedade e depressão no Brasil, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.
Isso não acontece porque a mulher é fraca. Acontece porque ela carrega demais sozinha.
A mulher periférica vive muitas jornadas — e quase nenhuma pausa.
A realidade da mulher da periferia é marcada por múltiplas jornadas que se sobrepõem diariamente. Ela trabalha fora, muitas vezes de forma informal, cuida da casa, dos filhos, de familiares idosos e ainda assume a responsabilidade emocional de manter o lar funcionando.
Mesmo quando exerce uma atividade remunerada, a maior parte das tarefas domésticas continua sob sua responsabilidade. O IBGE aponta que mais de 80% do trabalho doméstico no Brasil é realizado por mulheres. Essa sobrecarga constante gera exaustão física, estresse contínuo, ansiedade, sensação de culpa e, muitas vezes, a perda da própria identidade.
Em muitos momentos, essa mulher deixa de ser “ela” para ser apenas mãe, cuidadora, esposa ou trabalhadora. O eu fica esquecido.
Quando não há apoio do sistema, as mulheres criam suas próprias redes.
Na periferia, a ausência ou insuficiência de políticas públicas, serviços acessíveis e apoio institucional faz com que as mulheres encontrem força umas nas outras. Quando existe ajuda, quase sempre ela vem de outra mulher: uma vizinha, uma amiga, uma irmã, uma mãe ou uma colega de trabalho.
Essas redes femininas informais são fundamentais para garantir acolhimento, escuta e sobrevivência emocional. Na periferia, mulheres se apoiam porque sabem que sozinhas não dão conta.
Pesquisas sociais mostram que redes de apoio feminino reduzem o isolamento, fortalecem a saúde mental e aumentam a capacidade de enfrentamento das dificuldades do dia a dia. Rede de apoio não é luxo. É necessidade.
Rede de apoio também é cuidado com a saúde mental.
Cuidar da saúde mental não significa apenas buscar tratamento especializado. Também significa ter com quem conversar, ser ouvida sem julgamento, reconhecer sentimentos e entender que não se está sozinha.
Quando uma mulher encontra um espaço seguro de troca, algo muda dentro dela. Ela começa a se reconhecer novamente, a se fortalecer emocionalmente e a perceber que sua dor importa. O apoio não resolve todos os problemas, mas impede que a mulher adoeça em silêncio.
Rede Delas: um espaço criado por e para mulheres.
É nesse contexto que nasce o Rede Delas, criado pelo Núcleo de Mulheres do Instituto Transformação Cidadã – ITC. O projeto surge com um propósito claro: ser um espaço acolhedor, seguro e transformador para mulheres periféricas. No Rede Delas, a mulher não precisa fingir que está bem. Ela pode ser quem ela é, com suas dores, histórias, desafios e potências.
Rodas de conversa que acolhem, fortalecem e transformam.
No Rede Delas, as mulheres participam de rodas de conversa pensadas para promover escuta ativa, troca de vivências, fortalecimento emocional e apoio coletivo. Os encontros abordam temas reais do cotidiano feminino, como sobrecarga emocional, autoestima, autocuidado, maternidade, relações, saúde mental e identidade feminina.
Cada roda é um convite para falar, ouvir e se reconhecer na história da outra. É nesse espaço que muitas mulheres percebem que aquilo que sentem não é individual, mas coletivo.
Dinâmicas que resgatam o “eu” da mulher.
Além das rodas de conversa, o Rede Delas promove dinâmicas que ajudam a mulher a se reconectar consigo mesma. São atividades que despertam o autoconhecimento, fortalecem a autoestima e ajudam a mulher a olhar para si, resgatando sonhos esquecidos e desejos que ficaram pelo caminho. Em um cotidiano onde ela cuida de todos, o Rede Delas cria um espaço onde ela é cuidada.
Um lugar de pertencimento e acolhimento.
O Rede Delas não é apenas um projeto. É um lugar de pertencimento. Um espaço onde a mulher se sente vista, escutada e respeitada, entendendo que não está sozinha. No ITC, acreditamos que acolher também é transformar. Quando mulheres se apoiam, vidas mudam.
A mulher periférica não precisa ser forte o tempo todo. Ela precisa de apoio, de escuta e de espaços que cuidem da sua saúde mental.
O Rede Delas, do Instituto Transformação Cidadã, existe para garantir isso: um lugar onde mulheres se fortalecem juntas, constroem redes e transformam suas histórias.
Porque quando uma mulher é acolhida, ela se levanta — e leva outras com ela.