Ainda em 2026, mulheres continuam sendo mortas no Brasil pelo simples fato de serem mulheres. O feminicídio deixou de ser exceção para se tornar um retrato cruel de algo que passou da desigualdade e se tornou ódio ao gênero feminino. Mulheres estão tendo vidas e sonhos rompidos de forma brutal, exposta e sem a devida punição aos envolvidos. Os números crescem, os casos se repetem e, na maioria das vezes, essas mortes ocorrem após uma longa sequência de violências ignoradas, minimizadas, silenciadas e de uma sociedade que retrata a mulher não só apenas como objeto, mas também como posse de homens que mandam e desmandam até no direito de viver.
Cada feminicídio expõe não apenas a brutalidade do crime, mas a urgência de enfrentar um problema estrutural que atravessa lares, comunidades e instituições. No Instituto Transformação Cidadã, o núcleo de mulheres foca em tratar o feminicídio com seriedade, pois é um compromisso com a vida, com a justiça social e com a construção de uma sociedade onde mulheres possam viver sem medo.

Fonte: CNN Brasil, com dados do Mapa da Segurança Pública de 2025.
Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/feminicidio-quatro-mulheres-sao-assassinadas-por-dia-no-brasil/
De acordo com a Agência Brasil, os Três Poderes da República se reuniram nesta quarta-feira, 04 de fevereiro, para firmar um pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio. Foi divulgado pelo governo federal, que o pacto vai estabelecer um compromisso integrado entre Executivo, Legislativo e Judiciário para enfrentar a violência letal contra mulheres, com ações de prevenção, proteção, responsabilização de agressores e garantia de direitos.
Com estas informações vemos que o alarde para os números é de tanta brutalidade que, precisou-se focar com todos os poderemos disponíveis que temos para proteger as mulheres e dar nome aos bois de quem está tirando cada vida feminina.
Os dados mais recentes confirmam a gravidade do cenário. De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgado pelo Senado Federal, o Brasil registrou mais de 1.400 casos de feminicídio ao longo de 2025, mantendo uma média alarmante de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. O levantamento aponta ainda que a maioria dos crimes ocorreu dentro do ambiente doméstico e foi praticada por parceiros ou ex-parceiros, evidenciando a persistência da violência íntima e a insuficiência das redes de proteção. Reportagens da CNN Brasil também destacam que o início de 2026 já apresenta novos registros em diversos estados, indicando que a violência segue em crescimento e exige respostas imediatas e articuladas do poder público e da sociedade.
É preciso dizer com clareza: os homens não vão mudar do nada. Os comportamentos que sustentam a violência de gênero não surgem de forma isolada, eles são aprendidos, reforçados e naturalizados ao longo da vida. Muitos homens foram socializados para não questionar o controle, a agressividade e a hierarquia nas relações, e essa construção não se desfaz espontaneamente. Ignorar essa realidade é parte do problema.
Por isso, a mudança exige enfrentamento contínuo, responsabilização e educação. Exige políticas públicas, espaços de diálogo, intervenção desde a infância e a formação de novas referências para meninos e jovens. Não se trata de esperar uma transformação individual voluntária, mas de provocar mudanças culturais profundas, que interrompam a reprodução desses padrões geração após geração. Somente assim será possível reduzir a violência e proteger, de forma concreta, a vida das mulheres.
O Núcleo de Mulheres do ITC e o projeto Rede Delas atuam em um contexto onde as vulnerabilidades são ainda mais profundas. Nas periferias, situações de violência e relações tóxicas tendem a ser agravadas pela dependência financeira, pela sobrecarga de cuidados, pelo medo, pela ausência de redes de apoio próximas e pela dificuldade de acesso a serviços públicos. Muitas mulheres permanecem em contextos de violência não por falta de vontade, mas por falta de redes reais e seguros de saída.
Diante dessa realidade, queremos oferecer possibilidades concretas: informação acessível, escuta qualificada e apoio contínuo. O primeiro passo, muitas vezes, é reconhecer a própria vivência e compreender que o que se vive não é normal nem aceitável. A partir desse processo, respeitando o tempo e as condições de cada mulher, o acolhimento fortalece o “eu”, amplia a consciência de direitos e cria condições reais para que ciclos de violência possam ser enfrentados e, gradualmente, rompidos, mesmo em contextos marcados por desigualdade e exclusão social.
Quer fazer parte deste núcleo? se cadastre no link: https://forms.gle/FfUJxWtU4H1ugXLZ7
Dúvidas? entre em contato – 1195330-3566
Fontes:
Agência Brasil (EBC) – Chefes de poderes assinarão pacto contra o feminicídio no Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/chefes-de-poderes-assinarao-pacto-contra-o-feminicidio-no-brasil
Senado Federal – Mapa Nacional da Violência de Gênero aponta alta nos casos de feminicídio: https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/noticias/mapa-nacional-da-violencia-de-genero-aponta-alta-nos-casos-de-feminicidio
CNN Brasil – Após alta em 2025, Pernambuco inicia 2026 com novos casos de feminicídio: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/nordeste/pe/apos-alta-em-2025-pernambuco-inicia-2026-com-novos-casos-de-feminicidio/
